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Experimentando o futuro – klavi Day

Por Gabriel Pereira, fundador da Let’s Media.

Os grandes eventos movimentam toda a indústria financeira, mas sem dúvida, as versões pocket – mais intimistas – trazem uma oportunidade única para trocar experiências e obter perspectivas únicas. Foi exatamente isso que aconteceu durante o klavi Day, no último dia 17 de outubro, em que cerca de 40 executivos de instituições financeiras e seguradoras se reuniram no Café Journal. 

Tive a oportunidade de participar de um painel em que entrevistei Jimmy Lui, superintendente de Inovação e Open Finance do banco BV. Além disso, também tivemos insights macroeconômicos de Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, e uma discussão extremamente enriquecedora sobre o cenário de Open Finance com Bruno Chan, da klavi, Ricardo Raposo, da B3, Gustavo Tarrataca, do Itaú, e Rafael Gregório, do Santander. 

 A grande provocação do dia era sobre a perspectiva para as soluções que os dados podem trazer, não se limitando apenas ao Open Finance. Isso ressalta o melhor conselho que pode ser dado a qualquer empreendedor ou desenvolvedor de produtos: apaixone-se pelo problema e não pela solução. 

 

O mercado de Open Finance passou por mudanças. E para melhor. 

Essa percepção foi compartilhada durante as discussões. No início do ecossistema aberto, muitas instituições buscaram acumular consentimentos através de ofertas genéricas e pouco claras sobre como proporcionar benefícios aos seus clientes, afinal, tudo era novo. 

Ao replicar estratégias já existentes, sem considerar o novo momento do mercado, apenas adicionando dados de Open Finance, em algumas instituições financeiras estava-se criando o estigma de “clientes ruins” para aqueles que compartilhavam seus dados. Eu discordo fundamentalmente desse conceito – isso reflete muito mais a circunstância da própria organização do que do mercado, afinal, qualquer pessoa pode se tornar um “cliente de Open Finance”. Felizmente, isso mudou. 

Outro tema discutido foi a qualidade dos dados. Segundo os participantes do painel, essa também foi uma preocupação significativa, mas é possível, sim, extrair valor dos dados de Open Finance. O mercado nos mostra que as soluções disponíveis são a prova dessa evolução, com uma crescente personalização e solicitações de consentimento direcionadas, que invariavelmente exigem uma base sólida e confiável para embasar a tomada de decisão. 

 

A estrada ainda é longa 

Para Ricardo Raposo, da B3, estamos um terço do caminho ideal, enquanto Jimmy Lui, do BV, acredita que estamos mais próximo de um décimo. Independentemente da perspectiva, fica claro que não chegamos ao ponto final, mas sim estamos seguindo em uma direção. 

Por isso, é importante ter fôlego para continuar na jornada e, o mais importante, aproveitá-la. Entender o aproveitamento da jornada como a geração de benefícios para os clientes desde já é essencial. Em maior ou menor escala, é necessário fornecer resultados para o consumidor, afinal, tudo isso está sendo desenvolvido pensando neles. Essa é exatamente a provocação do Banco Central. 

Exigimos das empresas um grau de personalização e atendimento muito próximo ao que vemos em filmes de ficção científica. Porém, quando iremos alcançar esse nível? A verdade é que, muitas vezes, nem mesmo nós sabemos exatamente o que queremos, como bem pontuou Bruno Chan em um comentário. 

Entre enviar mensagens padrão para toda a base de clientes – sem contexto – e adivinhar tudo sobre o usuário (até antes dele mesmo) existe um grande caminho a ser percorrido. 

Para avançar com essas soluções, recursos e tempo são necessários. Jimmy e Tarrataca destacaram que a carga regulatória consome recursos essenciais que poderiam ser utilizados para criar mais casos de uso para a população. Muitas vezes, esses recursos são direcionados para novas versões de APIs, atualizações e outras demandas dos GTs. 

Existe um equilíbrio e um processo de amadurecimento. Pessoalmente, acredito que em breve atingiremos um ritmo mais estável em termos de especificações técnicas e teremos mais tempo para criar soluções estratégicas. Espero que isso não demore muito. 

 

Experimentando o futuro 

Foi fascinante conversar com Jimmy, pois isso evidenciou claramente o poder da experimentação. Todos sabemos que é importante falar sobre errar rápido, criar MVPs, testar e aprender, mas, na prática, parece que as grandes corporações não estão dispostas a correr riscos. Pelo menos seus executivos. 

Imagine só passar por 80 provas de conceito apenas para avançar com 15 iniciativas bem-sucedidas. Quanta dedicação não foi necessária? E se você tivesse tido 10 fracassos seguidos, talvez nunca tivesse alcançado esses 15 sucessos. 

Esse cenário apresentado pelo Jimmy em suas atividades no BV me faz acreditar que esse é o mindset que devemos adotar no Open Finance. Não existem soluções mágicas no mercado, precisamos simplificar a criação e os testes de iniciativas rápidas, constantes e consistentes. 

Assim, nos apaixonamos verdadeiramente pelos problemas. Deixamos de falar tanto sobre o Open Finance e focamos mais nas soluções. Afinal, somente aqueles que estão dispostos a experimentar o sabor do fracasso poderão descobrir o sabor do sucesso. 

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